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Caso ainda não conheça o trabalho do Gerson Lima Filho, dê uma olhada neste vídeo dele falando sobre a pele da Evans, só que colocada na caixa! 

Material Extra!

AFINAÇÃO E SEUS MISTÉRIOS

Baseado na "Bíblia Para Afinar Bateria" de Scott Johnson e "How To Tune Your Drums" por Dave Black; adaptado por Gilson Naspolini

VERDADES DOS TAMBORES

 

  1. O Intervalo (distância sonora) entre os tambores é mais importante do que a maioria pensa e a medida é chave para obter aquela ressonância extra entre os tambores. O diâmetro tem um grande impacto na afinação, muito mais do que a profundidade.
  2. Um pequeníssimo movimento no parafuso de afinação pode causar grandes diferenças e elevar a afinação drasticamente, muito mais ainda se o aro for Super Hoop ou Die-Cast. Mais ainda, pequenos movimentos nos parafusos da resposta, provocam uma mudança maior do que os da batedeira.
  3. Um som ou afinação que funciona para um local pequeno, poderá não soar tão bem em um local maior. Deve-se levar em consideração qual componente do som irá chegar à platéia. Por exemplo, a escolha das peles, se forem microfonadas, haverá de ser diferente. Um jogo de peles com muito sustain (vibração de longa duração) pode se transformar em um pesadelo para seu técnico de som. Enquanto o baterista pode estar numa apresentação inspirada, o som pode parecer embolado numa sessão de gravação ou num local maior, levando em conta harmônicos (sobras) prolongados e o conjunto obtido com outros instrumentos. Em locais maiores com microfones muito próximos das peles, tipicamente os bateristas usam peles duplas (G2 da Evans) pois o som fica mais abafado e controlado. O baterista deve também levar em conta que dependendo do tamanho do local, a reverberação da bateria chega com atraso à platéia, ou seja, deve-se pensar em tocar de modo mais simplista ou selecionando notas e viradas, pois o público não ouvirá os detalhes.
  4. Tenha atenção com o posicionamento de microfones sobre os tambores. Por exemplo, colocar um microfone perto da borda externa de um tambor pode captar harmônicos de alta frequência, mas situá-lo apenas uma polegada a mais de distância pode reduzir drasticamente estes mesmos harmônicos.
  5. Todos os tambores soam diferente a zero, cinco, quinze, trinta ou quarenta e cinco metros de distância. Por isso o que soa bem para o baterista enquanto toca, pode ser terrível para a platéia, microfonando ou não. É muito importante ouvir como soa sua bateria em diferentes distâncias, especialmente junto aos outros instrumentos. Percorra a sala e selecione peles e afinações de acordo. Uma afinação alta chega mais longe, uma baixa, não.
  6. O som ouvido numa gravação, em casa, nunca é fiel ao som da bateria, na maior parte das ocasiões. O que você ouve, em geral, é uma versão alterada de acordo com gosto do produtor e o músico. Às vezes, não é sequer possível reproduzir ao vivo um bom som de um disco sem recorrer à truques eletrônicos (uso de triggers e bateria sampler, por exemplo).
  7. Um tambor/pele/instrumento menos caro não significa inferior; em alguns casos, pode acontecer o contrário, desde que se obtenha o som desejado. Por exemplo, um tambor de Birch ou Beech, com aros regulares, além de serem menos caros que tambores de Maple com aros Die-Cast, poderá produzir o som penetrante que você precisa para sua caixa.
  8. O respiro do tambor (aquele buraquinho) é feito para deixar o casco respirar; quando usadas resposta e batedeira e uma mudança atmosférica acontece, ocorre umidade; o furo serve para eliminar este efeito. Este é um típico problema quando se sai de um clima frio para um quente, ou vice-versa, assim como "suam" as janelas na sua casa ou carro. O respiro tem pouco efeito sobre o timbre do tambor.
  9. Você deve esticar as peles (mesmo sem motivo) em todos os tambores. Este assentamento é necessário e muito importante no processo de se obter um som com qualidade e consistência.

QUANDO TROCAR AS PELES


Há vários indicadores que determinam quando uma pele deve ser trocada. Só não esqueça, estamos falando tanto do ponto de vista prático quanto do "purista". Fora o óbvio, quando há um buraco na pele, qualquer pele deve produzir um som que "denuncia" que ela deve ser trocada. Mas qual som? Você deve ser o juiz que decidirá quando trocar. Mesmo assim, seguem algumas simples dicas:

 

  1. Quando a camada porosa começar a desaparecer. Se você usou a pele até este ponto, com certeza já deve estar com a afinação nas alturas (de tanto reapertar); ou você tem uma pegada e tanto; ou a pele está no tambor há muito tempo.
  2. Quando a pele descrita acima é removida do tambor, percebe-se uma aparência achatada, ondulada. Este é o indicador de que a pele foi esticada além de seus limites, afinada num ponto onde quase nada de elasticidade existe, ou apenas foi forçada. Sem dúvidas, é hora de trocar de pele.
  3. Quando tentamos afinar grave (assumindo que você assentou as peles corretamente), o tambor não chega ao ponto desejado e começa a produzir um som distorcido ou um zunido. Este é um indicador de que a pele começou a afrouxar e assim não tem mais capacidade de ficar em constante contato com o tambor. Nas peles de filme duplo (como G2), isto pode ocorrer antes pois o filme superior sempre terá uma tensão diferente do filme inferior. A pele não estará completamente perdida, mas será necessário usar uma afinação mais alta à partir deste momento ou como alternativa, pode-se tentar reassentá-la usando um secador de cabelos.

AFINANDO E ASSENTANDO AS PELES


Para se familiarizar com o procedimento, recomenda-se começar com um tambor médio, como o de 12". Não confundir com a afinação da bateria completa. Quando afinar ela inteira, você pode preferir começar por outro tambor. Em primeiro lugar, focalizaremos em obter o melhor som do seu tambor.


Afinando a Resposta

Assumindo que você tenha inspecionado as bordas do casco (verificando se estão sem qualquer dano), pode-se prosseguir da seguinte forma:

  1. Escolha o tipo de peles de acordo com seu gosto (filmes simples, duplos, hidráulicos, porosos, etc.)
  2. Retire apenas a pele batedeira, caso você reconheça que a pele de resposta se encontra em bom estado e você conheça o som que deseja alcançar. Caso você queira testar novas possibilidades de afinação ou queira conhecer o som real do seu tambor (da madeira), retire todas as peles.
  3. Uma vez sem nenhuma pele, de umas batidinhas com a mão ou mesmo com uma baqueta na madeira, no caso do tambor, de modo a sentir qualquer vibração anormal. Se as canoas zunirem, pode-se desmontá-las e tentar novamente com alguns chumaços de algodão ou feltro, colocados internamente nas canoas, resolvendo o problema do zunido (note que é normal as cabeças das canoas, que acomodam os parafusos, zunirem, afinal os parafusos não estarão ali colocados neste momento). Pode-se também colocar uma película de borracha ou feltro entre a canoa e o casco do tambor.
  4. Coloque o tambor sobre uma superfície acarpetada com a borda da batedeira para baixo e então coloque a pele de resposta, o aro e proceda com os parafusos.
  5. É muito importante apertar os parafusos apenas até fazerem contato ou com as arruelas ou o aro. Se suas canoas são macias o suficiente, pode usar os dedos. Se
  6. o caso é de resistência maior, use uma chave de afinação. Em ambos os casos, uma vez feito o contato entre o parafuso/aro, volte um 1/4 de volta.
  7. Você pode usar duas chaves de afinação simultaneamente, em parafusos opostos, apertando ao mesmo tempo, de meia em meia volta, até observar que as rugas na pele sumiram. Ou então você pode usar apenas uma chave, mas apertando da mesma maneira (de meia em meia volta) e afinando em "estrela" (parafusos opostos). Dessa maneira, mantenha uma das mãos empurrando a pele no centro, formando rugas nos cantos; aperte até que elas sumam. Lembre-se, estamos apenas assentando a pele. Agora neste momento a nota musical não tem importância.
  8. Levante o tambor e bata na pele uma vez, preste atenção se o som tem algum tipo de distorção. Se tiver distorções, aperte cada parafuso mais meia volta e repita o procedimento até que o som não apresente problemas. Não tenha medo de apertar realmente muito acima de uma afinação normal, é essencial que a pele produza um som limpo e sem distorções antes de continuar.
  9. Agora, coloque o tambor novamente sobre o carpete, e vá batendo com a chave de afinação, suavemente, à uma distância de 3 a 4 cm da borda. no mesmo lugar, em cada canoa. Ouça a ressonância de cada batida e iguale as canoas, deste modo o tambor estará "afinado consigo mesmo"; a ordem em que isto é feito não é importante neste momento.
  10. Empurre suavemente com a palma da mão no centro do tambor de modo a poder quebrar a cola da borda da pele (se houver); lembre-se, não queremos que você atravesse a mão na pele, vá com calma! Digamos que você conseguirá afundar uns 6mm no centro da pele. Agora volte a fazer aquela afinação, de modo que o tambor fique novamente afinado consigo mesmo.
  11. Você pode deixar o tambor assentando por umas 12 horas (se puder se dar a esse luxo) ou com um secador de cabelo, não muito quente, passando pelas bordas do tambor. Dê umas duas ou três voltas com o secador, à uma distância de uns 5 à 8 cm da pele. Deve-se levar uns 8 segundos para dar uma volta completa num tambor de umas 12". Isto acomoda o filme, o aro da pele e do tambor, finalizando o processo de "assentar". Mas atenção: não aqueça demais a pele, pois pode haver quebra das moléculas do filme e esse pode endurecer depois de frio, perdendo toda sua elasticidade!
  12. Uma vez a pele assentada, você deve soltar novamente os parafusos, do mesmo modo que os apertou, até chegar no ponto de contato entre o parafuso e o aro.
  13. Repita o processo descrito anteriormente, assim que as rugas sumirem, você provavelmente encontrará o som mais grave que sua pele pode chegar, estando bem colocada. Subir mais a afinação daqui pra frente, depende da afinação dos demais tambores em conjunto, então é sugerido que você pare por enquanto.

Afinando a Pele Batedeira

Coloque o tambor sobre uma superfície acarpetada, dessa vez com a resposta (já instalada) para baixo. Repita os processos de instalação da pele. Considerando que você achou a afinação desejada nas peles de resposta, afinar as batedeiras a partir de agora será menos complicado.

Afinando a Pele Batedeira: Parafusos Afinados entre Si

Você pode optar em fazer o processo de afinar cada parafuso até achar uma frequência comum à todos; porém muitas vezes dessa maneira você acaba chegando numa afinação que não se adequa com os tambores vizinhos.

Afinando dessa maneira, o recomendável é iniciar todo o processo pelo tambor mais grave, assim você garante que terá um surdo com som de surdo e não parecendo um tom de 12". Comece no surdo e vá subindo até o primeiro tom, assim você naturalmente achará afinações de cada tambor, possivelmente casados entre si.
Afinando a Pele Batedeira: Utilizando um "Parafuso Mestre"

Uma maneira mais prática e menos "amarrada" de se achar a afinação da batedeira somada à resposta, é deixar um dos parafusos mandar na afinação. Considerando que o aro já está colocado da maneira correta (evitando que ele fique torto com a pressão), deixe um dos parafusos frouxo.

Este parafuso é que vai determinar o "toque final" da sua afinação, deixando o tom mais ou menos alto (grave ou agudo), casando assim com os demais tons da sua bateria.

Não se preocupe de apertá-lo mais do que os outros, porém lembre-se que ele está fazendo apenas o "toque final". Dessa maneira, você não precisa casar todos os parafusos (afiná-los entre si) e acaba por encontrar o som mais rapidamente. Não esqueça: não aperte demasiadamente mais que os outros parafusos!

Considerações Finais

Afinar uma bateria não é uma tarefa mecânica, exige sensibilidade e experiência, que deve ser adquirida com muitas tentativas e prováveis erros. Pesquise e teste diferentes maneiras de afinar, assim como diferentes kits de peles. Com a tecnologia de hoje, muitas vezes o processo de assentar a pele já garante um ótimo som, com peles e tambores afinados entre si.


E Lembre-se: o resultado não depende apenas de uma boa bateria com peles boas; depende também da sua sala/estúdio/palco, da temperatura do local e das variações climáticas (umidade do ar). Há dias que você simplesmente não consegue chegar no resultado desejado! Não se deixe desanimar, tente amanhã. Tente sempre!

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