“Eu preciso construir um estúdio de ensaio (ou gravação) e não sei por onde começar”.

Comece vendo este vídeo!

 

Minha Técnica

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Minha sala de ensaio

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…Depois, veja estes outros vídeos. São todos os que fiz a respeito do assunto, em ordem cronológica!

 

Entenda a diferença entre isolar e tratar o som de um ambiente.

Algumas pessoas entram no meu estúdio e ao verem as paredes de madeira e as espumas perfiladas na parede, me questionam:

“São essas espumas que não deixam o som sair lá pra rua?”

SIM E NÃO

Se você fechar uma sala inteira com espuma especial para tratamento acústico, com certeza irá reduzir o ruído de dentro para fora da sala. Porém, a grande verdade é que desta maneira você irá reduzir muito mais o inverso, ou seja, irá ouvir pouco ou quase nada do ruído de fora da sala (carros passando, pássaros cantando, vizinhos cortando grama, etc).

ENTÃO ESPUMAS NÃO FUNCIONAM?

Espumas, carpetes, cortinas, isopor, caixas de ovos (esse último é ÓTIMO! - para atrair baratas) funcionam como atenuantes de reverberação (ou eco, se preferir). Ou seja, imagine uma sala enorme, com paredes de alvenaria, piso em cerâmica...

Com certeza uma sala assim apresenta muita reflexão sonora; o som dentro da sala reflete em todas as paredes e volta com atraso para seus ouvidos, gerando o eco.  Se você forrar algumas ou todas as paredes com algum ou alguns dos materiais citados, eles irão servir como "absorvedores" desse eco.  

ECO E VOLUME

Se você reduzir o eco conforme citado, consequentemente haverá uma significativa redução de volume. Mas se tratando de bateria ou de uma banda ensaiando, essa redução será insignificante. Por isso, esses materiais são indicados para estúdios de TV e Rádio, onde o interesse em isolar está emreduzir o ruído de fora para dentro. Por isso, esqueça estes materiais quando o assunto for isolamento acústico.

ISOLAMENTO X TRATAMENTO

Para realmente isolar o som do interior da sua sala para o exterior, você vai precisar de material pesado, como tijolos de concreto por exemplo.

“A única coisa que isola realmente o som é a massa. Quanto mais pesado o material da parede, menos decibéis (dB) passarão para o outro lado.”

— Marcelo Canova; Revista Batera e Percussão

Só para se ter uma ideia, o aço isola sete vezes mais que o concreto. O chumbo, por não vibrar com os sons graves, isola cerca de vinte vezes mais que o aço. Pensando nesses cálculos, concluímos que o lugar melhor isolado acusticamente do mundo é um cofre de banco.

Mas será que lá dentro de um cofre o som ficaria bacana? É aí que entra o tratamento acústico. Ou seja: uma sala pode ser isolada mas ter um som horrível dentro dela e vice-versa.

Não adianta você fazer um cofre para ensaiar, mas manter as paredes apenas em alvenaria e piso; o som vai ficar horrível para ensaiar e/ou gravar. Da mesma forma, não adianta nada você encher uma garagem de caixa de ovo e esperar que nenhum vizinho seu venha reclamar do barulho. O som do sua garagem pode até ficar bacana, mas pode acreditar, o seu vizinho não vai achar seu isolamento eficiente. 

Questões Matemáticas

PERDENDO O SONO

Uma pessoa para dormir, não pode ficar exposta a mais que 45dB (decibéis). Por outro lado, a bateria pode produzir até 110 dB. Ou seja, 10.000.000 vezes mais

MÃOS À OBRA

Se puder, construa um estúdio do zero; muitas vezes reformar sai mais caro e pode ser que não fique 100% isolado.

NÚMEROS

Índice de isolamento: Meio Tijolo = 30 dB; Tijolo inteiro = 40 dB; Tijolo duplo = 60 dB.

QUANTO MAIS MASSA MELHOR

Colocar materiais porosos em uma parede, como é o caso da lã de vidro, aumenta o índice de isolamento em apenas 10 dB.

Cada caso é um caso

Mais abaixo, você confere dois vídeos, mostrando a construção do meu estúdio. Porém, não vá tentar me copiar só porque aqui deu certo! Você tem que levar em consideração as circunstâncias do seu local. Para mim, paredes duplas de madeira e lã de rocha (e uma parede dupla de concreto) deram conta do recado. Mas isso deu certo pois a minha sala está inteiramente dentro de uma casa, ou seja, 3 das 4 paredes dão para salas internas, além de que a lage é a sala de cima da casa.

DEIXA DE SER CHATO

Algumas pessoas vieram comentar nos comentários do vídeo no Youtube que meu isolamento não foi eficiente, pois você ouve no quintal um pouco de vazamento. Engraçado que essas pessoas não são meus vizinhos! Claro que há vazamento; as salas laterais ao meu estúdio sequer possuem portas e as janelas são meras janelas de vidro. Não continuei a isolar os ambientes fora do estúdio pois simplesmente não preciso. Até onde está isolado, está bom. Ninguém reclamou. Posso ensaiar até de madrugada, sem problemas. Então, ao fazer o seu estúdio não pense em fazer uma fortaleza. Apenas isole o necessário para suas necessidades, evite gastos a mais!

RESPONDA ESSAS PERGUNTAS PARA DESCOBRIR O NÍVEL DE ISOLAMENTO QUE VOCÊ PRECISA:

  • Sua sala fica na rua, fora da sua casa?

  • Sua sala fica num segundo andar de uma casa, ou local mais elevado do solo?

  • A sala a ser construída ou reformada é com forro (PVC, madeira) ao invés de lage?

  • Existem vizinhos que dividem as mesmas paredes da sala a ser usada?

  • Pretende manter alguma janela?

  • Pretende manter apenas uma porta simples?

Se você respondeu SIM para uma ou mais perguntas, pode começar a se preocupar, pois ou seu isolamento precisará de um investimento muito alto ou não irá funcionar. Se pretende gastar pouco, comece tentando responder NÃO para todas as perguntas acima.

EU DISSE NÃO!

Se você disse não para todas as perguntas acima, provavelmente terá um ambiente parecido com o meu, onde madeira, lã de rocha e umas portas reforçadas darão conta do recado. 

TRATE BEM SEU ESTÚDIO

Feito seu isolamento da forma correta (que é a melhor forma para o SEU ambiente), comece a pensar no tratamento acústico. Agora sim você pode ir atrás de espumas perfiladas, madeira, carpetes, lã de rocha ou vidro (usadas entre as paredes duplas ou portas duplas).

MAS ATENÇÃO:

Não vá colocar isso em todo o ambiente de cima a baixo, pois é como tudo na vida: excessos sempre levam ao erro.

Se você exagerar nos materiais porosos e não deixar nenhum material reflexivo na sala (parede de alvenaria ou pedras, vidros ou cerâmica) sua sala ficará "morta" nas frequências agudas. Ou seja, ficará ruim para quem canta, toca guitarra ou para seu som de pratos numa gravação. 

ALÔ, SOM, TESTANDO

Nesta fase, vale testar. Experimente primeiro aos poucos, colocando materiais diversos e alternando com ensaios para testar o ambiente. Pesquise também sobre atenuadores como "bass traps" e outras ferramentas para ajustar seu ambiente.

 
 

De sala nova

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Em dezembro de 2016 coloquei uma coisa na cabeça: iria dar uma guinada no meu foco profissional. Até então, mantinha uma escola com professores de vários instrumentos e me vi insatisfeito com esta rotina de "dono de escola". Queria voltar meu foco para outra paixão da minha vida - além da minha esposa, da bateria e dos meus gatos - gravação. 

Resolvi dispensar a galera (que deram seu melhor como professores do IMGN, obrigado pessoal) e reformar mais uma das salas da casa; a ideia era mover minha aula de bateria para esta sala, que ainda por cima seria minha "house mix" de ensaios e sala de mixagem/masterização para meus projetos de gravação. Ou seja, minha sala dos sonhos :).

A reforma

Ao longo de várias reformas, descobri que construção ou reformas são como compor e gravar uma música. Você não termina; desiste!

Depois de alguns dias sentado no chão desta sala vazia, "projetei" na minha mente o que queria e como iria fazer desta minha nova sala de aula e mixagem. Tive que fazer umas medições, imaginar onde ficariam as coisas para dar o primeiro passo: chamar o eletricista para instalar no local certo os pontos de luz. 

Como eu iria rebaixar o teto, o eletricista (abraço pro Edmilson, excelente profissional) simplesmente teve que "espalhar" os fios, deixando presos nos pontos que especifiquei. No total, foram 13 pontos, com 3 vias de interruptores.

Depois disso, levei uns dias colocando tacos de pinos tratado pelo teto, cuidando para ficar na medida certa das placas de gesso que viriam depois.  Ainda antes de terminar esta parte, chamei um pedreiro para fechar uma janela e uma porta de vidro e também abrir uma nova porta. Esta parte (elétrica / fechamento e abertura de porta e janela), me custou entre material e mão de obra R$790,00. Depois, as portas semi-ocas foram mais R$600,00 + R$130,00 de mão de obra para colocação. Confira nas fotos.

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Teto rebaixado com gesso e lã de vidro

Depois que finalmente terminei de "taquear" o teto com pinos tratado, comprei gesso acartonado e lã de vidro para cobrir 20m². A instalação fiz toda com a ajuda do meu aluno Axel Bitencourt (paguei ele em aulas ;) e economizei bastante com isso. 

A lã coloquei recortando em pedaços e prendendo ela no teto hora com uma pistola de grampos, hora com fitilho, amarrando e grampeando de ponta a ponta.

Já o gesso, recortamos com estilete e também com uma serra elétrica em alguns momentos. É um material leve, frágil e apesar de fácil manuseio para cortar, deu um trabalho enorme. Mas no fim, muito gratificante. No total, gastei R$530,00 em lã de vidro e gesso. Não estou contando aqui todo o pinos tratado (foram uns 3 fardos, de R$30,00 cada) e nem os parafusos, fitilho, etc, que são de valor muito baixo. Confira nas fotos.

Painéis absorvedores

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Antes de tentar fabricar eu mesmo, procurei na internet alguns painéis prontos e achei um absurdo de caro... E também vi gente fazendo, mas foi difícil achar alguém fazendo um que eu considerasse bonito e eficiente para meu estúdio. No fim, acabei seguindo dicas de um aluno meu (um abraço ao Jefferson Cechinel!) e o resultado ficou excelente, na minha opinião.

Encomendei diretamente com um marceneiro a madeira para fabricação de 10 painéis nas medidas 65cm (largura) x 115cm (altura) x 10 cm (profundidade). Fiz nessas medidas para melhor aproveitamento das tábuas de pinos não tratado que comprei. O marceneiro cortou e já parafusou as peças para mim, deixando tudo pronto para colocar a lã e o acabamento em tecido, que fiz por minha conta.

Comprei um saco a mais de lã de vidro quando fiz o teto, já pensando nestes painéis (os valores porém, estou contando separadamente para facilitar o entendimento). Já o tecido, comprei Oxford na cor bordô e para o fundo, TNT. Para prender, usei a pistola de grampos novamente. Levei em média uns 20 minutos para deixar pronto cada painel.

Meu custo foi de R$200,00 de madeira, R$180,00 de mão de obra do marceneiro, R$195,00 de lã de vidro e R$100 de tecido. Não estou considerando o gasto com fitilho (que usei para sustentar melhor a lã dentro das placas, passando pelos furos na madeira) e nem da pistola de grampos (que me custou uns R$80,00) e dos grampos utilizados. Confira nas fotos.

Painel de madeira

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Por uma questão estética e para trazer a reflexão sonora da madeira, resolvi por fazer este painel de eucalipto. Eu teria optado por tábuas mais largas, mas utilizando esta madeira, o máximo que eles poderiam me fornecer eram tábuas de 7 cm. E o preço me fez aceitar o eucalipto ao invés de outra madeira. 

Parafusei na parede guias de pinos tratado. Depois, começando de baixo pra cima, fui intercalando as tábuas, tomando o cuidado de deixar as pontas sem parafusar. Dessa forma, quando chegou a parte de parafusar tábuas menores, pude empurrá-las para cima ou para baixo, de modo que encaixassem primeiro, para depois parafusar. Usei mais de 200 parafusos, então recomendo expressamente que você use uma parafusadeira elétrica. Comprei uma furadeira/parafusadeira (Dewalt modelo DCD776LC) logo que inventei esta reforma e usei ela praticamente em todos os serviços que fiz. Me custou uns R$600,00 mas valeu cada centavo. 

Levei umas 8 horas para terminar tudo (considerando até a pintura em verniz (Osmocolor na cor itaúba) e a pior parte foi que tive que tirar e recolocar o ar-condicionado. Fiz tudo sozinho e felizmente nada estragou. Meu custo foi de R$380,00 em madeira, contando o pinos tratado para sutentar o painel atrás. Não estou considerando o custo do verniz, que eu já tinha guardado de outra reforma, e nem o custo dos parafusos. Confira nas fotos.

Iluminação

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Essa parte foi relativamente fácil de instalar, porém cara, como é de se esperar. Fiz tudo em LED. Consegui economizar comprando pela internet parte das peças (www.drlux.com.br). Outras, em lojas locais. Optei por sistemas prontos, ou seja, lâmpada e estrutura já vem montada, com lâmpadas móveis entre 3 watts (quente) e 7 watts (fria). Foram 13 leds, 6 frios (luz branca) e 7 quentes (luz amarela). Quando instalei o gesso, já tomei o cuidado de cortar as bocas onde encaixaria as lâmpadas; depois bastou descascar os fios, instalar os reatores e pronto. Acabei esquecendo de mostrar em vídeo, mas também fiz um fio de led por cima do equipamento da minha mesa de trabalho, que ficou além de bonito, muito útil. Meu custo em lâmpadas de led foi de R$357,00, mais R$60,00 num rolo de fita LED, que usei menos de 2 metros. O rolo vem com 5 metros. Logo encontro outro canto da casa pra iluminar (risos). Confira nas fotos.

Por último, o piso

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Passei boa parte do projeto com dúvidas nesta parte. Pensava inicialmente colocar carpete, ou mesmo apenas espalhar uns tapetes. Depois, cheguei a pensar em comprar pela internet todo o material para instalar piso laminado. No fim, desisti da ideia (já estava há quase 4 meses reformando e isso ia demorar mais uns 20 dias, entre receber o material e aprender como instalar). Resolvi desembolsar uma boa grana colocando um piso emborrachado vinílico; e não me arrependi. Apesar do preço, ficou lindo demais, fácil de limpar e valorizou demais minha sala. Sei bem disso pois vi ela praticamente pronta antes desse piso, e não tinha graça nenhuma. Recomendo muito, se você puder pagar. Usei o ForthArt Wood Premium, no modelo Carvalho Old Plank. Este piso requer o nivelamento, pois como em baixo eu tinha já um piso de cerâmica, as frestas entre os pisos deixariam o emborrachado todo marcado, estragando o visual. Por outro lado, ele é fácil de arrumar caso alguma peça estrague, pois é colado e não encaixado. Além de que, em caso de alagamento, ele não estraga como um piso laminado. Instalado, me custou R$1850,00, para 20m².

Nivelamento do piso antes da instalação

E o que mais?

Claro que além de tudo isso que citei, ainda gastei muito mais. Mas aí são gastos que variam muito, você pode precisar gastar com isso também, ou mesmo não se importar em fazê-lo. Reformei sofás, comprei espelho para as aulas, gastei com tintas, acessórios para pintura, parafusos, ferramentas, pregos, etc etc etc. 

Resultado

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Meu objetivo era em primeiro lugar, trazer conforto para meu trabalho e meus clientes, tanto no visual como na qualidade de som. Em segundo, isolar suficientemente a sala, para que pudesse trabalhar pelo menos até as 22h todos os dias, com volume moderado. Em terceiro, dar independência para minha antiga sala, para que pudesse tirar proveito dela enquanto estivesse ocupado com meu trabalho. Ou seja, agora eu recebo ($$$) com minha antiga sala mesmo quando nem estou fazendo nada nela, alugando para outras pessoas ensaiarem. 

 

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