1º Lugar: Neil Peart

Por quê 1º lugar?

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O primeiro choque ao ver Neil Peart tocando, lembro bem, foi no então VHS "A Show Of Hands", durante o solo de bateria. Como se fosse hoje, me recordo da sensação de incredulidade vendo Neil tocar notas tão rápidas na caixa, que mal conseguia ver as baquetas se movendo. Claro que também contou o fato de eu ter visto poucos vídeos de solo de bateria antes disso (provavelmente nenhum!). Mas podemos dizer que comecei bem, né?

Passada a surpresa "técnica", ficaram as composições, o ar de "baterista inteligente", os belos e pouco convencionais kits de bateria e o glamour de ser reconhecido como o melhor baterista do mundo, dando o arremate final no meu coração de baterista estudante.

Vale citar que em 1986, Neil Peart foi considerado "the best all around" e elevado à condição de "hors concours", tornando-se "inelegível" nas principais categorias da revista Modern Drummer, que realizava e ainda realiza pesquisas e faz premiações para eleger os melhores bateristas, todos os anos.

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Se você assistiu o meu vídeo e ficou curioso com o groove no ride, usado em Spirit Of Radio, YYZ e em tantas outras músicas do Rush, segue aqui pra você de bônus a partitura do groove, extraído do livro "The Beaten Path Of Progressive Rock". Basta clicar na imagem para ampliar e baixar. Se gostar, não deixe de adquirir o livro!

 

 

Three Snow Dogs Rush Tribute

Aproveitando o momento, divido com vocês uma playlist da minha banda tributo ao Rush, Three Snow Dogs, com meus parceiros Cesar Tancredo (guitarra e backing vocal)  e Mateus Garcia (voz, baixo e teclado).

O primeiro vídeo, mostra uma pequena "entrevista" com a banda, ainda no início do nosso trabalho, que completa 4 anos ano que vem. Também gravamos diversos clipes ao vivo em diferentes situações. Até vídeo somente da bateria, você irá encontrar na playlist.

 

Não conhece? Não deixe de ouvir

Eu acho bizarro um baterista não ter sequer ouvido falar de Neil Peart, mas enfim, os tempos são outros e as referências também.

Mas pode apostar: se as suas referências de banda e baterista são dos anos 90 pra cá, aposto que pelo menos 1 de 3 dos seus bateristas favoritos citaria Neil Peart como uma forte influência. 

Pra te ajudar a conhecer, segue abaixo uma lista em ordem cronológica com algumas das minhas músicas favoritas, mas confesso que doeu bastante ter deixado várias delas de fora. 

Dica: se você não gostar da primeira que ouvir, dê uma segunda ou terceira chance! O Rush mudou muito de estilo ao longo da carreira, migrando do hard rock blues para o rock progressivo, new wave, pop e volta ao rock com uma pegada progressiva, no que tange compassos malucos e atmosferas viajantes. 

 

By-tor And The Snow Dog (Fly By Night, 1975)

Na sua estréia no Rush, Peart mostrou à que veio. E mostrou suas influências também, nesta faixa de mais de 8 minutos, forrada com viradas gigantescas em semicolcheias e fusas à la Keith Moon e um trade de solo de bateria com um efeito phaser típico dos anos 70.

Através desta canção, o Rush começa a entrar no universo do Rock Progressivo. Vale lembrar que neste disco, Peart já destila também seu lado letrista, assinando a letra de boa parte das músicas. 

 

Xanadu (A Farewell To Kings, 1977)

Nessa épica faixa de mais de 11 minutos, Peart esbanja criatividade criando camadas e mais camadas de percussão (Tubular bells, bell tree, timbales, glockenspiel, etc). 

Viradas e grooves construídos com maestria; onde cada repetição da música recebe novos retoques, vão transformando esse num dos mais complexos e criativos arranjos de bateria da carreira de Neil.

 

La Villa Strangiato (Hemispheres, 1978)

Seguindo a fórmula (que deu certo) criada no disco anterior, Peart novamente surge com seu glockenspiel nesta música instrumental, para depois partir para o chimbal, construindo uma dinâmica impressionante

As sessões sempre muito bem claras e desenvolvidas com grooves marcantes: a "calmaria" da sessão IV - A Lerxst in Wonderland, com um levada em 7/8 que cresce junto de um solo fantástico de Alex Lifeson; seguindo para a sessão V - Monsters! onde ele usa combinações de acentos nos toms. 

 

Freewill (Permanent Waves, 1980)

Uma música aparentemente pop que alterna compassos em 4/4, 6/4, e 7/4 na introdução? Isso só pode ser coisa do Rush.

Ponto alto nesta música para as viradas super bem construídas e a levada durante o solo, usando uma combinação de paradiddles, casando com o baixo sincopado de Geddy Lee, enquanto Alex Lifeson faz um dos solos mais "fritados" de sua carreira. É pra aplaudir de pé!

 

Tom Sawyer (Moving Pictures, 1981)

Uma das (se não a mais) famosa música da banda, surpreendentemente pop, mesmo tendo espaço até para um solo de bateria no meio! 

Difícil destacar pontos altos aqui, pois cada virada, cada acento, parece ter sido meticulosamente pensado pra música. 

Detalhe legal: esse clipe foi filmado durante a legítima captação da bateria, não tem "dublagem"!

 

Subdivisions (Signals, 1982)

O Rush decidiu cair de cabeça no "new wave" com este disco, preenchido de teclados. Mas nesta faixa, Neil ainda abusa do seu kit acústico, criando camadas com grooves cada vez mais criativos. 

Mesmo parecendo que nada se repete, você irá perceber as viradas evoluindo em tamanho e complexidade ao longo da música.

Uma das favoritas da maioria dos fãs.

 

The Big Money (Power Windows, 1985)

Abrindo o disco (talvez) mais eletrônico da banda, nesta música Neil abusa das combinações com pads eletrônicos.

Mas engana-se se você acha que isso torna a execução de alguma forma mais "simples" ou "fácil". Pelo contrário! Neil toca tudo que acontece de percussão nesta música, enquanto ainda segura um groove. 

Destaque para a sessão instrumental, na qual ele "desliga" a esteira da caixa, enquanto faz um complexo padrão nos toms, acentuando a caixa sem esteira e tocando um pad eletrônico de caixa no pé esquerdo ao mesmo tempo. Moleza, não!?

 

Time Stand Still (Hold Your Fire, 1987)

Uma das mais conhecidas da carreira, um sucesso pop da banda. Nem por isso, menos complicada de tocar na bateria! 

Ponto alto para os acentos de prato e caixa que escondem o "tempo 1" no verso; destaque também para o refrão, misturando acentos em pads eletrônicos enquanto o bumbo segue em semínima. 

 

Presto (Presto, 1989)

Seguindo uma influência inesperada de Neil Peart pelo baterista Manu Katchè, essa faixa, apesar de tecnicamente simples, mostra um baterista bem preocupado em dar espaço para a melodia, deixando toda a explosão para o final da música. 

Destaque para os contras de caixa durante o refrão, que vão como de costume, evoluindo a cada repetição.

 

Bravado (Roll The Bones, 1991)

Disfarçada de balada, esta música é uma escola de arranjo baterístico. A começar com splashes muito bem colocados na introdução e nos "respiros" durante o verso. 

Ponto alto para o último refrão e final da música, onde Peart não se contenta em "levar o groove" e mete combinações de ride com chimbal, alternando com tambores, lembrando um pouco a introdução de Subdivisions. 

 

Double Agent (Counterparts, 1993)

Neste disco, Neil passou a tirar um som mais orgânico, com poucos elementos eletrônicos, mas ainda está lá a meia-lua (eletrônico) no pé esquerdo.

Destaque pro refrão criativo nos toms e também o  groove com caixas alternando no tempo e contra-tempo, "escondendo" a troca de compassos de 6/8 para 4/8.

 

 

Driven (Test For Echo, 1996)

Uma música que tem uma "pegadinha" nos compassos desde o seu início, alternando 8/8, 6/8, 8/8 e 7/8!

E Neil, utilizando de um artifício parecido com o usado em "Double Agent", alterna caixas no tempo e contra, com uma levada truncada mas que dá fluidez pra uma música tão complexa ritmicamente.

Destaque para os rufos em toque duplo na caixa entre as sessões, acentuações no ride e o peso na parte final da música.

 

One Little Victory (Vapor Trails, 2002)

Depois de um hiato de 6 anos, o Rush volta com Neil chutando a porta com os dois pés, literalmente!

Uma introdução nervosa, com direito a pedal duplo, notas fantasmas de caixa, alternadas com um chimbal "auxiliar" no lado direito do kit. 

 

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