Depois de muitos anos sem podermos tocar juntos, tive a oportunidade de gravar novamente com o grande guitarrista e amigo, Simão Gandhy.

Simão Gandhy

Amigo dos tempos de Souza (Conservatório Souza Lima, São Paulo/SP), o "Sermão" (como costumo chamá-lo) que é natural de Dourados/MS, vez ou outra pinta aqui pelo sul (Criciúma/SC). O destino quis que um irmão dele vivesse por essas terras! Pra minha felicidade, consigo manter um contato "visual" com este meu brother, mesmo tendo se passado tantos anos que saímos de São Paulo. 

A ironia é que, mesmo assim, NUNCA tocamos juntos no meu estúdio. Sempre aparece alguma programação paralela (seja eu trabalhando, ou o Simão passeando de férias) e até agora nossa última "tocada" ao vivo deve ter sido na década passada...

viva a internet!

Uma das grandes maravilhas da tecnologia é justamente resolver o problema da distância. O Simão me manda vez ou outra umas ideias malucas, pra ouvir e/ou gravar uma bateria em cima.

Uns 2 anos atrás ele me veio com um riff que achei matador. Até ontem, essa ideia não tinha sequer um nome... Na época, não exitei em gravar umas paradas na bateria, por cima da guitarra dele. Mas ficou ali, pra terminar. 

Até que no final de 2015, intimei o cara:

"Meu, vamos terminar isso aí? quero fazer um vídeo foda, filmar de um helicóptero, sei lá, com a bateria caindo no mar enquanto faço uma virada infinita".

Doda Santana

Doda Santana

Bom, com essa pressão toda, ele obviamente não recusou. E inclusive descolou um baixista bom demais, o Eduardo "Doda" Santana.

Aí não teve mais volta: fechou o time e saiu a gravação do baixo e de umas linhas adicionais de guitarra.

Foi então que desisti de filmar por diversos motivos (o lance do helicóptero era brincadeira, tá?) e não tava muito afim de fazer só por fazer.

Mas aí já era tarde, a música tava ali praticamente pronta; eu que tava emperrando a bagaça!

Antes tarde do que nunca

Eis que finalmente esta semana criei vergonha na cara, me tranquei por 8 horas no meu estúdio pra estudar minhas partes (afinal, eu teria que fazer ao vivo - gravar áudio e vídeo ao mesmo tempo) pra não errar [muito] e ter um take só, ou seja, do começo ao fim sem parar/errar. Claro que pra isso, tive que gravar diversas vezes...

Pra ter uma ideia do desgaste: depois de 6 horas (sendo 2 gravando) eu terminei. Mas descobri que o canal da caixa estava DESLIGADO! 

SIM! O CANAL DA CAIXA DESLIGADO!

Podia ser o do tom, do surdo, mas nãããão... o da CAIXA. O animal aqui teve que gravar TUDO de novo, do princípio. Tive que zerar todas as câmeras, recarregar as baterias (minhas e do equipamento) e respirar fundo. Tinha que sair.

E saiu!

E então, depois de todo esse trabalho, de toda essa espera, adivinha qual o nome da música?

Detalhes Técnicos

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Para os mais aficionados, irei descrever o equipamento usado.

Foram 12 canais de gravação, usando minhas duas placas Presonus Firestudio, somadas, com 16 canais. O programa que uso para captação de áudio é o Reaper. 

Para a filmagem, uso minha câmera Sony HX1 e pus meu Iphone 4S para captar o ângulo por trás da bateria. Uso o programa Sony Vegas 12 para realizar a edição, posteriormente.

Os canais/microfones

  • 2 over heads (Samson O2); 
  • 1 no chimbal (Samson CO2H); 
  • 1 para sala/ambiência (AKG C3000);
  • 4 nos toms/surdos; (kit Samson para toms e um de bumbo no surdo 16"); 
  • 2 na caixa; (Shure SM57);
  • 1 bumbo (AKG D112);
  • 1 canal para a parte eletrônica, em linha.

BATERAGEM

  • Tambores com peles EVANS, modelos EC2 Clear (toms/surdos), EQ4 (bumbo) e HD Dry (caixa);
  • Fone de ouvido MEE Audio M6 Pro;
  • Toms/Bumbo/Surdos da PDP Concept Series (22", 12", 14", 16"), exceto o Piccolo tom 10" da DW Design Series. 
  • Caixa Mapex Black Panther Deep Forest Wallnut 14"x8";
  • Chimbais: Paiste Signature 15" e Zildjian Avedis New Beat 14". Ataques Paiste Signature 19", Paiste Reflector 18", Zildijian Avedis Medium Crash 16". China Orion Rage Bass 18". Splashes Zildjian Avedis Thin 10"; splash Zildjian Avedis 6". Stax 8" de splash+china cortado de algum prato nacional que nem recordo o nome...
  • Cowbéis e jamblocks da Latin Percussion.
  • Pedal duplo Pearl Demon Drive.
  • Pad eletrônico (pé esquerdo) da Staff Drum.
  • Controlador de sampler Roland SPD-SX.

CRIAÇÃO

Como citei, a música surgiu de um riff que ia progressivamente tendo variações de compasso, que é o riff principal da música até hoje. Por sugestão minha, foi criado um looping no meio da música para dar espaço a um improviso de bateria.

Enviei uma gravação com este tal improviso pro Simão e pro Doda e eles meteram bala por cima dessa gravação (tosca e sem edição).

Só que o problema é que eu iria regravar minha parte na bateria. Aliás, eu nem saberia mais reproduzir o improviso que havia feito sei lá quantos meses atrás... 

Usei o metrônomo a 230 bpm, por conta das inversões de compasso, deixando ele em 1/4. Não houve correções/edições na bateria. Mantive ela "solta", pois acredito que esse tipo de música precisa soar natural e não uma engenharia perfeita.

No fim, refiz toda a bateria; tive que fatiar a criação deles até que ficasse dentro da minha nova ideia, pois o tamanho do meu solo mudou. Ou seja, reorganizei a estrutura da música para caber dentro da minhas partes de bateria. 

Depois de tudo pronto, devolvi para o Simão e ainda sugeri que ele adicionasse alguns solos de guitarra, que ficaram antecedendo meu solo de bateria e completaram o final da música.

Gostou? o Download está disponível abaixo!

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